terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Crítica Teatral: Balé de marionete, tragédia humana

Balé de marionete, tragédia humana

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Na penúltima noite do Festival , teatro de bonecos ousa, intriga o público e provoca reflexão
O Auditório B do Cine Teatro Opera, local das apresentações de ‘Às Dez Em Cena’, é o reduto dos grupos mais experimentais do Fenata. O clima intimista do palco menor favorece quem deseja inovar. Não foi diferente com a Cia. Fios de Sombra, de Campinas/SP, que se apresentou na noite de terça-feira, 12. Os paulistas brindaram os cerca de 150 presentes com um espetáculo minimalista e monocromático: “Cinza”.
A única atriz, Paloma Faria Quintas, não abre a boca. Coberta por capa e chapéu, ela se camufla no cenário composto por caixas e jornais empilhados. Quem rouba a cena é a marionete que ela comanda.
O boneco, também feito de jornais, desfila pelo palco e representa uma história comum e realista. Guiado pelos movimentos dançantes de Paloma que, além de atriz, tem formação de bailarina, o títere vive as desventuras de muitos moleques: pobreza, drogas, violência.
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Foto: Divulgação
A riqueza do teatro experimental é a inquietação que provoca. Os campinenses sabem disso e deixam a narrativa intencionalmente vaga. As linhas gerais ficam claras, mas não faltam momentos ambíguos.
O que, nas mãos de um grupo menos competente, poderia resultar em distração da plateia, revela-se um trunfo. A peça atrai o espectador por forçá-lo a questionar-se constantemente. Os corpos inclinados para frente e os cenhos franzidos do público atestavam a atenção conquistada.
Com trilha sonora marcante e ares oníricos, “Cinza” parece uma alegoria da miséria, pois retrata a incapacidade dos marginalizados de deixar uma existência de cores lúgubres. No final, a história sempre se repete. Mas vá saber! É provável que cada um dos presentes tenha saído do Opera com uma interpretação diferente.
Rodrigo Menegat
Serviço:
Grupo: Cia. Fios de Sombra, de Campinas/SP
Duração: 50 min. Direção: Rafael Mario Curci Carbonell
Iluminação: Lucas Rodrigues dos Santos. Sonoplastia: Eduardo Conegundes de Souza
Maquiagem: Paloma Faria Quintas. Operador de som: Elaine Vilela Rezende
Elenco: Paloma Barreto

terça-feira, 25 de setembro de 2012

CRÍTICA TEATRAL - BONECO E MANIPULADOR IGUALADOS NA SOLIDÃO (POR LUCIANA ROMAGNOLLI)



Acompanhem agora a crítica publicado no site do FENTEPP (Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente) onde o espetáculo foi apresentado dia 24/09/2012:

Desde a entrada da atriz e manipuladora Paloma Barreto com vestes de papel-jornal, cumprindo uma movimentação rígida e de mãos tateantes, aquém à mobilidade potencial de um corpo humano, o espetáculo “Cinza” funda uma zona de embaralhamento entre o animado e o inanimado. Essa será uma tensão latente, embora nunca radicalizada, na encenação da Cia. Fio de Sombra, à medida que se estabeleça a interação entre a manipuladora e o pequeno boneco igualmente feito de páginas de jornal por ela encontrado entre montes e caixas de mais folhas de noticiário a recobrir o palco.
Oculta sob um chapéu de abas largas, a manipuladora anima o boneco executando um roteiro de ações erráticas condizentes a um homem abandonado em meio a restos da civilização. A onipresença dos jornais, notadamente norte-americanos, instaura um signo documental no espetáculo, de cunho adulto, e acena para uma crítica socioeconômica ao sistema capitalista que exclui seres como aqueles: boneco e manipuladora. Sim, pois também ela se configura como uma excluída, uma vez que a consciência da presença da atriz é logo despertada no boneco. A dramaturgia se constrói de modo que ela o manipule em aparente apatia, mas faça com que ele a procure insistentemente, em impulsos de indagação, consulta e fuga.
A interação que assim se delineia entre manipuladora e boneco tende a diminuir a distância entre os dois planos, o do inanimado e do animado, numa tentativa de convívio que, dentro da dramaturgia criada por Rafael Curci, significaria a ruptura da solidão na qual cada um está afundado.
Desse modo, a companhia de Campinas joga com a linguagem do teatro de bonecos, deslocando o foco que habitualmente recai somente sobre o objeto manipulado para um questionamento relativo ao isolamento do manipulador na técnica japonesa do kuruma ningyo – na qual cada boneco é animado por apenas uma pessoa, que tem as mãos e os pés livres para essa ação porque se apóia e se desloca sobre um banco com rodas. Aí reside a maior sofisticação do trabalho do grupo: na elaboração metalingüística, que se serve de características específicas da linguagem para promover os sentidos do espetáculo.
Contudo, as escolhas visuais impedem que esse procedimento seja colhido com maior clareza pelo olhar do público. Distinguir as formas torna-se uma dificuldade decorrente da opção pelo papel-jornal como substância de toda cenografia e figurino. Por mais que o material dê unidade e faça sentido dentro do universo proposto, em certos momentos não se pode reconhecer os objetos nem os limites dos corpos da manipuladora e do boneco. Tal confusão bem poderia ser um efeito a somar-se ao embaralhamento dos planos animado e inanimado, mas, em vez disso, atua como um ruído, borrando o delineio da gestualidade do boneco, de modo a ocasionalmente quebrar a ilusão pretendida.
“Cinza” escapa de ser um retrato trivial da rotina de um miserável no momento em que complexifica essa relação com a manipuladora, assumindo-a como personagem para além daquele boneco específico. Sobrepõe-se, ao abandono social representado pelo homem-objeto, uma camada na qual a memória de uma tragédia íntima se insinua no comportamento repetitivo e obsessivo da manipuladora (porém, a esta altura, a encenação impõe ao espectador uma nova dificuldade visual, sentida especialmente pela plateia mais distante do palco). A opção pela sutileza do implícito e por uma dramaturgia aberta mantém o espetáculo num campo de abstração e de sentidos dispersos. Fica o desejo por ver o grupo verticalizar as possibilidades metalingüísticas e narrativas deste trabalho, de modo a prover sua delicada construção de um maior poder de afetação.  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Crítica – “Cinza” (Cia. Fios de sombra, Campinas)

Bom pessoal, nos postes anteriores, eu publiquei o vídeo quase na íntegra do espetáculo Cinza, produzido pela Fios de Sombra, Cia de Teatro a qual faço parte.
Essa semana estivemos no Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba, o Festivale que já está em sua 27° edição, e abaixo segue a crítica feita por Kil Abreu.


Abertura ou fechamento?
Crítica – “Cinza” (Cia. Fios de sombra, Campinas)
Kil Abreu

O espetáculo da Cia. Fios de sombra nos mostrou um grupo em pleno movimento de apropriação dos seus materiais expressivos. É claro que de um modo geral o artista está quase sempre em movimento, cada obra é uma e por mais modesta lança em perspectiva a inauguração de um pequeno mundo a partir de si mesma. Mas aqui trata-se, a tomar por este trabalho, de um processo formativo francamente em curso, que inclui o exercício a partir das técnicas de manipulação e contracenação entre bonecos, atores e objetos, a pesquisa dramatúrgica e outras variantes.
Pode-se dizer que este “Cinza” é uma montagem que experimenta os resultados alcançados em todas estas frentes e, como trabalho formativo, concentra as descobertas e a tentativa de afinação dos materiais pesquisados.  Na área técnica, em que interessa fundamentalmente o domínio da manipulação e a contracena entre boneco e ator, sem dúvida já há ossatura suficiente para que se possa caminhar sobre as pernas de um repertório razoável. A formação da atriz e manipuladora Paloma Barreto, vinda da dança, empresta  senso de medida aos movimentos, o que é muito favorável à cena. Ajuda a tatear os tempos da ação sem atropelos e demonstra a segurança da gestualidade que nasce de um trabalho físico evidente.
Se esta frente está suficientemente coberta o mesmo não se pode dizer da narrativa. A encenação parece ter um gosto maior pelo acabamento plástico e pelo rendimento técnico que pelo acabamento dramatúrgico, ainda que na forma do espetáculo todas estas coisas apareçam amalgamadas. Dramaturgia aqui não significa nenhum tipo de compromisso com uma história redonda, com linearidade fabular ou com aristotelismos de nenhuma ordem. Significa apenas o chamado ao arredondamento do espetáculo na chave escolhida. 
O imaginário da peça anuncia sem dúvida um fundo social (dois personagens que vivem no lixo), explorado na  perspectiva de uma reflexão íntima. Entretanto a narrativa não tem ponto de vista (não se sabe se ela acontece a partir do olhar do personagem representado pela atriz, a partir do personagem do boneco ou se por outro, distanciado da ação). Não existem regras a serem aplicadas em relação a isto, senão aquelas apontadas como convenções da própria montagem. E  as convenções são vacilantes, de maneira que há um fio de história parcialmente sugerido  na relação entre as duas personagens e há também o apontamento de uma narrativa implícita, que deveria ser disparada a partir daquela primeira, mais referencial. A questão é que o espetáculo não se afirma nem em um nem em outro plano. Acaba se arredondando com alguma dificuldade de sentido. 
O que se disse no debate após a apresentação, sobre a desejada “abertura” de significados e a substância poética que demarcaria a linguagem  é um bom argumento e em parte pode justificar isto, mas não rigorosamente. Talvez seja preciso ainda ao grupo verificar se a abertura desejada não está, objetivamente, redundando em fechamento. Se aquilo que o encenador batizou “ signos” metafóricos estão presentes na representação com a potência poética esperada,  a ponto de abrir as portas para   leituras que, mesmo particulares, possam estar sustentadas. É preciso avaliar, então, que a metáfora também tem qualidades diferentes, não é um recurso de linguagem com um valor em si. 
Pela delicadeza das soluções e a preocupação formal apresentadas neste espetáculo é possível ver que a Cia. Fios de sombra já tem bons elementos para movimentar com mais desenvoltura os aspectos narrativos do seu trabalho, que certamente estão bem colados às soluções plásticas, mas não se bastam nelas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Contexto e Arte - Espetáculo "Cinza" - parte 02/02

Exibido em 02/04/2012
Cinza é um espetáculo que aborda de maneira poética os conflitos de uma mulher que vive procurando algum motivo que justifique sua trágica história. Entre caixas de papelão cuidadosamente preparadas e mediante a animação objetiva de um boneco, essa mulher vai reconstruindo fragmentos de acontecimentos de seu passado continuadamente até chegar a um confronto de seus próprios medos e conflitos. Encenado pela ex-aluna de Jornalismo Paloma Faria Quintas, Cinza é a atração da edição, desta semana, do "Contexto e Arte".

Contexto e Arte - Espetáculo "Cinza" - parte 01/02

Exibido em 02/04/2012
Cinza é um espetáculo que aborda de maneira poética os conflitos de uma mulher que vive procurando algum motivo que justifique sua trágica história. Entre caixas de papelão cuidadosamente preparadas e mediante a animação objetiva de um boneco, essa mulher vai reconstruindo fragmentos de acontecimentos de seu passado continuadamente até chegar a um confronto de seus próprios medos e conflitos. Encenado pela ex-aluna de Jornalismo Paloma Faria Quintas, Cinza é a atração da edição, desta semana, do "Contexto e Arte".

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Auto análise (tem hifen?)

Como separadamente recheio e bolacha...
Tiro o gás do refrigerante
A-D-O-R-O dançar TODOS os tipos de música.
Gosto de ler mas ultimamente raramente termino um livro
Amo estudar
Aliás, gosto tanto que sou bailarina, jornalista e atriz
Canto no chuveiro ... no carro..no quarto... mas canto muito mal!
Tenho um passado negro...
...mas conto pra todo mundo dele!!!
Ainda não atingi a felicidade plena, mas acredito que ela exista
Gosto MUITO de exercitar o corpo (de todas as maneiras possiveis, até fazendo faxina)
Sou viciada em redes sociais
Amo FRIENDS e assisto quase todos os dias
Aliás, amo SERIADOS...
Aliás², aprendi inglês assistindo esses seriados...
Acho que entre meus sonhos, ser mãe é o que mais eu tenho medo de nao realizar.
Ok, ok..eu tenho uma filha... peluda de 4 patas, que late muitooo!!!!
Odeio perder em uma discussão.
Odeio não ter razão
Odeio quando apontam meus defeitos...
AMO TOMAR SOL
Amo nadar, em piscina, mar, banheira...
Sou de aquário ...
..e santista....
...e sempre quis ser uma sereia...
Descobri que posso ser QUEM eu quiser...
...mas percebi que carregar uma máscara por muito tempo pode ser penoso e interferir na personalidade da pessoa...
Ultimamente tenho chorado com facilidade...
Mudo de humor como quem troca oxigênio por gás carbônico!

domingo, 26 de setembro de 2010

CQC LIXO!!!

Minha semana foi um saco, o fim de semana foi pior ainda... mas sempre tem algo pra salvar.. Hoje por exemplo é aniversário do meu irmao! Dia delicioso....!

E no sábado... algo tb salvou o dia pé no saco q eu passei.... almoço com meus amores Bruno e Larissa...e esse texto que colo na íntera:

(des)controle remoto - Os lapsos do humorístico CQC

Paula Ribeiro
paula.ribeiro@rac.com.br

O CQC tem como principal característica uma crise de identidade quase insolucionável. Desde a sua criação, o programa se classifica como humorístico-jornalístico, mas não consegue cumprir nenhuma das funções a contento.

Isso porque o humor que se propõe a fazer é baseado no constrangimento dos entrevistados e o jornalismo que julgam exercer é pífio.

Explico: humor é, por definição, uma forma de comunicação humana que faz com que as pessoas riam e se sintam felizes. Ali, no caso, ri-se (quando se ri) por nervosismo ou constrangimento. Já o jornalismo é apoiado em um tripé muito simples e funcional: novidade, proximidade e relevância. A começar do pressuposto de que não há notícia factual que dure uma semana, período que separa um programa do outro, não há novidade. Para superar este obstáculo, tentam novas abordagens do fato, mas acabam se tornando banais.

Vocês sabiam que, nos bastidores, repórteres de outros veículos de comunicação são prejudicados pelos humoristas do CQC? A razão é simples: quando um entrevistado vê um membro do programa inserido entre os jornalistas, desiste de dar entrevista ou de dar pelo menos uma declaração. Isso porque quando se propõe a falar com a imprensa é abordado pelos humoristas com perguntas idiotas e constrangedoras.

Ou seja: não conseguem fazer humor e ainda empobrecem o material dos “colegas”. O prejudicado é, portanto, você, leitor.

O quadro Proteste Já (o mais próximo do jornalismo que conseguem chegar) repete justamente os atos criticados dos políticos: os constrange tanto quanto eles à população, ameaçam usando o microfone como arma e quase nunca retornam ao local para checar se o problema foi, de fato, resolvido.

A ressalva é o Top Five. Realizado por estagiários e jornalistas que gravam programas em suas casas, é resultado de um intenso trabalho de pesquisa.

Mas não vou dizer que o programa sempre foi ruim. Seu primeiro ano, quando o o pique dos rapazes era visível, faziam-se boas piadas, mais voltadas para o humor do que para o constrangimento.

Tanto que na coletiva de imprensa no início deste ano, a trupe confessou que manter o pique era um desafio para a nova temporada.

A maior contradição do programa está na bancada e tem nome: Rafinha Bastos. Ele e Marcelo Tas, os únicos jornalistas do elenco, se limitam a fazer piadas. No caso de Rafinha, sua porção jornalística fica para A Liga.

Mas embora seja o berço das piadas exageradas e ácidas demais, a bancada ainda tem salvação graças ao equilíbrio visível de Tas.

O CQC, portanto, é apenas a opção menos pior para as monótonas noites de segunda-feira, dependendo do entrevistado do Roda Viva.





Eu já ODIAVA cqc... nunca achei graça.. nunca vi nada de jornalismo..tudo forçado, sem argumento, sem ouvir os dois lados da história..enfim..CONTRA MÃO do jornalismo..e a nossa queria Paula Ribeiro concorda comigo.... GRAÇAS A DEUS... pq até hoje, nunca vi ninguem se dignar a dar a cara a tapa e falar mal desses babacas!